A porta aberta
Você não sabia, mas eu te amava enquanto ouvia falar de outro. Eu até pensei em me declarar, mas era com tanta paixão que o definia, a forma como o admirava, dava pra ver seus olhos brilhando. E era com tanto ardor como na mesma medida lhe tacava a lenha e depois o defendia. Era seu pior juíz, seu maior advogado. Eu, num fogo cruzado, não sabia o que fazer, na maioria das vezes apenas ouvia. Às vezes você se culpava, e eu me enraivecia, querendo que soubesse como era mais que aquilo, como merecia mais. Eu não conseguia entender porque o amava tanto, mas só podia aceitar. Coisa de vocês. Eu era apenas um espectador naquilo tudo. Estranho, às vezes ria das suas quedas, me ensoberbecia nas falhas dele, cheguei até a desejar que se ajeitassem de vez para conseguir minha alforria. Mas não, você sempre procurava meus braços nas noites em que ele não estava. E naquele meio amor, todo errado, era como se a porta sempre estivesse aberta, mas não o suficien...