Virando pipa

Um dia você está bem. Está jogando "Rumo ao Estrelato", pensando em ganhar sua quinta bola de ouro e se igualar ao Messi, pensando se é melhor se transferir pro Manchester City ou continuar na Juventus. Está rindo do nada, de uma piada aleatória que se lembra do "Barbixas", querendo que amanhã chegue logo, para poder comer sucrilhos no café ou qualquer coisa do tipo.

Mas aí, uma bendita atualização de status muda tudo. É de Elora, de quem podia ter apagado o número. Contato salvo na página de amigos, porque não se acompanha de um coração depois do nome como outrora. O telefone é mudo, vive no silencioso porque som de notificação incomoda. Mas nesses novos tempos, de nada adianta essas coisas. Ela está lá, com aquele sorriso convidativo e aquele online que não se finda. E  a bendita atualização do status. 

Eram duas pizzas, uma Pepsi, uma Coca-Cola e os dizeres: "Vocês também tem o melhor namorado do mundo? Que manda pizza pra vocês? Porque eu sim." É, ele nunca tinha mandado nada além de flores, no primeiro dia que se viram. Nem no dia dos namorados. Achava que não fazia o estilo dele, mas vai ver, isso não é questão de estilo. Pelo menos lhe mandava textos, e agora ela, mais derretida que aquele queijo que em breve, estaria em seu estômago. "Gordinha assim, se for mimada demais vai acabar virando uma pipa", pensava. 

"Ah Kailan, você entende nada sobre as mulheres", ela dizia. E nada a seu respeito que valesse a pena para ser ostentado ou causar inveja nas amigas em status. Ele era do tipo que pediria alguém em casamento logo após acordar, com ambos de pijama e muito sono. Mas vai ver, isso não é questão de tipo. "Pelo menos são sabores tradicionais, nada de pizza de camarão ou de chocolate. Duas ainda, e dois refrigerantes. Pra quê isso?" Primeiro riu, depois foi ouvir músicas tristes, e nem pensou mais no sucrilhos.

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